Fletarte

Olho daqui, mas sei que não me enxergas. 90 graus e minha face já pode sentir a energia que a puxa de volta na única direção que faz sentido nessa noite. À medida que me reaproximo da vista que quero encarar, sinto diminuir a pressão de evitar que a oportunidade escoe pelo ralo. Apesar de ceder ao feitiço quando aponto o alvo, sua cabeça, simulando desdém, já retornou a posição inicial.

Os que nos cercam não interessam. Viram imagens subexpostas diante do que atravessa a retina. A menor distância entre dois pontos é a ilusão que te coloca em primeiro plano. Sem artimanhas na mente vou atravessando os obstáculos desse pinball luminoso e retirando do caminho o que meus olhos tentam dar vida, mas que não faz parte dessa alucinação hipnotizante.

Os sentidos exacerbados indicam uma proximidade cada vez maior do destino desejado. Aperto o passo ao perceber aquela aura mágica se esvair lentamente à medida que busco captar o sinal desprendido daquele instante. Só ficou aqui seu rastro, ou o que julgo sê-lo. Um giro completo dessa vez, mas tudo está vazio. Preciso me refazer. Pensar rápido e partir. Não sei o rumo. De novo sem radar.

Jenilson Rodrigues/ Priscapaes

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