Sem Mim

Sem Mim

O amor se foi. Apontou na minha direção, mas se auto catapultou no sentido contrário. Deixou uma brecha mesmo sem acertar o alvo. Quando partiu não sei, ele não manda aviso prévio ao abandonar o âmago de alguém.
Incêndio apagado, cordão umbilical cortado, energias represadas e pactos quebrados. Há muito as frequências não se alinhavam e a rua sem saída vinha ganhando as formas de uma bifurcação. A angústia acompanhava esse romance desde o início e passávamos os dias nos sabotando, conscientemente ou não. Aguardei por um fim premeditado, mas os infortúnios da vida mais uma vez fizeram questão de alterar o destino que sempre acaba me escapando pelas mãos. Nem a DR tinha algum fundamento, visto que o culpado se encontrava bem distante da cena do crime. Mesmo assim você preferiu revisitar as memórias, reabrir as feridas e tentar dirimir em alguns minutos uma história sobre a qual nunca tivemos controle de verdade. Exaltada e fora de si buscava um pretexto para descarregar todo o ódio reprimido, uma parte do que restou de uma união fadada ao fracasso. Um movimento em falso e tudo estaria perdido. Sua frieza me impressionava e pela primeira vez te vi determinada, prestes a cumprir com seu objetivo.
No entanto, mesmo quando sua mão ainda pairava sobre o coldre e em seu pensamento visualizava minha destruição refletida em seu olhar ao sair, sua mira se demonstrou inútil ao tentar alvejar o mesmo eu que um dia foi seu, mas que naquele instante já não se encontrava mais ali.

Jenilson Rodrigues/ Priscapaes

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